segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aborto ... atentado contra o "santuário de vida"



Para falar-nos deste crime abominável que é o aborto, a Evangelium Vitae apresenta-nos o Salmo 139/138: “vossos olhos contemplaram-me ainda de embrião” (EV 58), que não é mais que uma forma de expressão para afirmar que a “vida humana possui um carácter sagrado e inviolável” (EV 53). Assim, é crime e incorre em excomunhão latae sententiae todo aquele que procurar o aborto directo (CEC 2272), quer seja a mãe, quer sejam as pessoas que com ela colaboram (EV 59), pois “desde o seio materno o homem pertence a Deus” (EV 61), os pais são meios e colaboradores de Deus, se forma que a vida de um filho não lhe pertence em plenitude.
Embora a gravidade do aborto na consciência de muitas pessoas vá obscurecendo progressivamente (EV 58), a verdade é que é preciso usar a razão e perceber que logo no “período do gérmen” se constitui uma realidade biológica com um património cromossómico próprio, ou seja, há já a existência de uma célula inicial, zigoto, que contém em si um código genético, quer isto dizer a determinação de todo o processo biológico e psíquico. Ao aceitar o Aborto estamos a incorrer numa perigosa crise do sentido moral que se torna cada vez mais incapaz de distinguir o bem do mal (EV 58), por isso é que o papa João Paulo II com esta carta encíclica nos implora para a coragem de todos em chamar as coisas pelo seu nome. Abortar é tratar o homem como um “isso” e não como um “outro”.
A mesma encíclica ao falar do tema apresenta a pessoa eliminada (abortada) como “o inocente”, “o frágil”, “o totalmente entregue”, ou seja, existe a consciência de que ali há um novo ser, verdadeiro. Poderíamos perguntar, então e essas vidas humanas eliminadas tiveram alma? Uma resposta clara apresenta-nos também a encíclica afirmando que como não se pode afirmar a presença espiritual pela observação de algum dado experimental, então responde-se pelo dado da ciência, mas “como poderia um indivíduo humano não ser uma pessoa humana?” (EV 60).
Apela-se pelo respeito da dignidade humana e pelo cumprimento do preceito de Deus: “não matarás”. A criança não tem culpa de que os outros a tenham feito viver e de que o acto de não ser querido complique a existência para ele. Mas a verdade é que a solução não pode ser a de matar pessoas não gratas, mas saber aceitá-las. O Sim à vida da criança que se desenvolve no útero da mãe não deve ser apenas pronunciado pelos pais, mas por toda a sociedade que deve empenhar-se em ser sociedade de valores, não dominada pelo pecado e pelo cumprimento de certas leis, mas sim em respeito a uma “consciência animada pelo amor” (C.E.I, Janeiro de 1972). Quanto á Igreja cabe, depois de tornar plenamente consciente a gravidade do acto (EV 62), deve à imagem de Deus Criador, favorecer os meios para uma adequada conversão e uma penitencia que seja sentida pelo penitente, no sentido de um verdadeiro reconhecimento da falta cometida. Abortar é envelhecer toda uma sociedade, é atentar contra a civilização (Carta às Famílias) e, ainda mais profundamente, destruir a família que é por natureza “santuário de vida”.
Resumindo, nenhum legislador humano pode afirmar que é lícito matar, ou que se tem o direito de matar (Carta às Famílias, nº 21), porque só Deus é dono da Vida (EV 55).

domingo, 4 de novembro de 2012

Porque estive lá ...

Depois de passar por uma terrível situação, um acidente, penso agora escrever algo que senti nesse momento.

Depois de um "despiste", acabei por capotar e ir tombando por uma ribanceira a baixo.

Quando o carro parou, senti-me a dizer adeus a este mundo.

As portas bloqueadas, pois parei dentro de um silvado;
O carro esmagado dos tombos que deu;
Eu bastante ensanguentado;
O motor a deitar fumo;

Pensei mesmo que não sairia vivo ...

Tentei partir os vidros, mas apesar de estarem tapados e bloqueados, a força faltava-me no corpo.

Consciente da situação e aflito ao ver-me deste modo preso à espera do finito, a vontade de viver foi maior e consegui contra tudo sair, embora tivesse de pegar silvas com as mãos senti-me viver de novo.

Depois uma jovem anónima que ia de passagem ao ver-me estendido na estrada ajudou-me, a quem agradeço, embora não tivesse ficado com contacto algum.

Tudo para dizer-vos que "MORRER CUSTA".

Despeço-me pois sinto-me psicologicamente a desfalecer.



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Impostos sobre lágrimas e saudade

Impostos sobre as lágrimas de quem parte
Impostos sobre as lágrimas de quem fica

Quem parte deixa um país que o viu nascer e crescer
Quem fica vive num país que lhe tira tudo quanto tem de bom!

Quem parte deixa a beleza cultural deste nosso país
Quem fica vive na cultura que lhe rouba o ser!

Quem parte parece não ter bilhete para voltar
Quem fica parece já nunca mais ver o alguém chegar!

Quem parte terá raiva de quem o expulsou
Quem fica cala-se por ser obrigado a ficar!

Quem vai leva na alma o desejo de chorar
Quem fica sente a saudade a matar!

Enfim, até a condição familiar, que é a razão da existência da sociedade, se vê infiltrada na crise.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Jesus tu és a minha vida! Grande música!

"O meu silêncio tem imagens"

Um silêncio marcado por imagens........umas de sorrisos.........umas outras de lágrimas.....

Um silêncio que nunca me abandonará, pois já nasceu comigo! O mundo, os seres, as pessoas, as coisas, os amores, as acções.........tudo escorre, só o trabalho, a determinação e os sentimentos é que não passam!
Oiço falar do Natal! O que é ele! Para mim que sinto falta dos que me rodeavam! Não tem muito significado!

Entre a escuridão um dia quis falar, mas enquanto caminhava senti algo que me mandava calar, era o destino......e descobri a vida no silencio.

Falo sem poder falar, oiço sem poder ouvir.

Assombra-se-me o sorriso ao sentir o vento gélido da noite, mais gélido que os meus sentimentos!
Assombra-se-me o olhar ao penetrar na escuridão da noite, mais negra que a morte!
Assombra-se-me o corpo ao sentir no ar a nostalgia do contrário de viver!
Assombra-se-me o pensamento ao imaginar tanta gente que nessa noite chora!

E chorando adormece com o calor das lágrimas! E adormecendo sonha que se é rei, de um mundo que não existe! Pelo menos em sonhos somos alguém.

Um silêncio que se faz ouvir mesmo entre o barulho da civilização, que nunca pára para pensar!

Ao menos aqui, sei que o silencio se torna eterno...e as imagens co-eternas.

Num Velho Jardim

Pensar no fim

        Eis que passeava serenamente entre os verdes do jardim da Sernalheira, quando reparei num "Velho" sentado num calvo banco.

Aproximei-me, pois assim era o percurso que seguia e oiça uma voz que me diz: "As pessoas quando chegam à velhice são como um copo, só servem para nos servimos deles".
Senti uma solidão que saia daquele peito e aproximei-me para ver seu rosto gasto pela vida e sentei-me pedindo licença.
Com um olhar entristecido, olhava o horizonte, como quem tenta encontrar algo nunca visto; com a sua velha capa, já de todo rota, ali permaneceu como um errante que caminha pelo desconhecido. Nas mãos tinha uma pedra perfeita: redonda como uma bola de ping-pog.

Mantivemo-nos naquele silencio de morte uns 20 minutos, que mais pareceram horas.
Depois com uma voz rouca, e sentida, fala palavras para o alto que depressa desaparecem no ar, apenas entendi uma frase, "estou gasto de tanto bater".......... e pedindo licença, levantou-se e caminhou por entre árvores caídas, folhas amontoadas e dispersas, umas já coladas no chão outras voando como sonhos levantados pelo vento. Desapareceu.
Hoje sei o que ele queria dizer, tal como as pedras que roçam umas nas outras até ficarem perfeitamente redondas, assim também as pessoas se desgastam de ter que levar com tantas outras.

A solidão não é uma caminho para a vida toda, mas a vida deve ter momentos de solidão.

Por um caminho desconhecido

Um olhar que caminha ligeiramente
Um andar que olha abertamente ... por onde passa

Um sentir indiferente ou um diferente sentir!
As memórias dos meus olhos, quando percorro esses caminhos de frieza civil
Uma lágrima de quem dorme ao sabor delas.

Quero aprender contigo a ajudar-te (anónimo/a)
Perco eu quando passo sem perceber o que és tu
Quando tu me chamas não chamas uma capacitado, mas
Capacitas um chamado!

Afim de querer ajudar-te, sei que me ajudo a mim.
Onde estás oh meu ser-no-outro?

Afinal nas pedras da rua estava escrito o teu nome. Pobreza.