Com foi referido na reflexão I, o nome de Deus vêm associado a Exércitos pelos factos bélicos que envolveram a vida do Povo de Israel.
Agora falaremos acerca do "herem", isto é, do anátema (sentença, ideia associada) que está associado à guerra: subtração de uma realidade ao uso profano e o seu destino total e irrreversível à divindade.
Na perspectiva deuteronomista (Deuteronómio), a anátema era necessário e uma medida profilática (de prevenção): a fidelidade a Yahweh e à Aliança axigia de Israel a abstenção de todo o culto idolátrico e a consequente eliminação de qualquer contacto com povos que pusessem em perigo a sua fé. Este direito de destruir tudo era legitimo na mentalidade de então.
Esta destruição em massa era uma punição dos cananeus pelas suas perversões e Israel via-se como executor da justiça divina.
Só em textos proféticos claramente pós-exílicos se dirá que já não se aplicará o anátema. O último ato de "herem" (anátema) descrito no Antigo Testamento é o de:
1 Samuel 15: Guerra (de Saul) contra os amalecitas.
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| Samuel e Saúl, supostamente no diálogo em Carmel, que é uma cidade ao sul do Hebron, local que se encontra no caminho de Negueb em direcção a Guigal, narração 1 Samuel 15, 12. |
sabendo nós que o anátema era destruir tudo ... aqui encontramos Saul ferir os amalecitas desde Hévila até Sur ... aprisionou vivo Agag, rei dos amalecitas ... passou todo o povo a fio de espada ... para cumprir o anátema.
Ora embora Saul e o povo terem destruido os amalecitas, pouparam Agag e tudo o que havia de melhor do gado miúdo e graúdo, os animais gordos e as ovelhas, enfim, tudo o que havia de bom não quisseram incluí-lo no anátema; o resto destruíram tudo: nisto cumpriram o anátema (que é a ideia de destruir tudo para não se contaminar a sua fé).
Mas é ao poupar o rei Agag, rei dos amalecitas e tudo o que havia de melhor, que vai fazer com que Saul caia e seja rejeitado por Yahweh.
1 Samuel 15, 11: "Arrependo-me de haver dado a realeza a Saul, porque ele se afastou de mim e não executou as minhas ordens". (Convém ler esta passagem de 1 Samuel e todo o seu capítulo 15)
Se nos parece que o anátema, esta ideia do Povo de Deus era bastante drástica, é, no entanto neste capítulo que encontramos o progresso relgioso e moral deste povo de Deus.
Se atendermos á pergunta de Samuel a Saul:
-"Yahweh compraz-se com holocaustos e sacrificios como com a obediência à palavra de Yahweh? (1 Samuel 15, 22)
Entendemos a consciência moral aqui existente e que nos é confirmada com a resposta do mesmo que fez a pergunta, Samuel,
-"sim a obediência é melhor que o sacrifício, a docilidade mais do que a gordura dos carneiros" (1 Samuel 15, 23)
RESUMINDO: Entendemos a evolução da moral e da religiosidade que vai existindo neste povo eleito por Deus.
Quando se atribuem as ordens destas chacinas a Deus, tenha-se em consideração a forma de expressão antropomórfica (Deus com caracteristicas humanas) , onde Deus actua à maneira humana do homem e Lhe são atribuídas ações próprias do ser humano.
O género literário deste tipo de narrações é frequentemente épico, em que se exagerava a veemência do extermínio, sem correspondência exata à realidade acontecida, para enaltecer e mostrar Deus a vencer os inimigos e a libertar o seu povo.
Um outro texto em que se nota, mas em grande, o género épico da narração:
- 1 Reis 18, 16-40 ... onde se mostra Elias contra os 450 profetas de Baal e que os matou todos com um "punho" junto da torrente de Quison, que é ao fundo do monte Carmelo.
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| Profeta Elias, onde podemos observar a apresentação do "punho" na mão e a degolar um dos 450 profetas de Baal, e o novilho posto sobre a lenha, sem lhe pôr fogo, tal como é narrado em 1 Reis 18, 23 |
O QUE É QUE ESTA PASSAGEM NOS QUER DIZER?
-esta passagem não é histórica, isto é, não aconteceu como se conta, como se narra, quem acredita que um só homem matava assim de qualquer forma 450 profetas de Baal? Não se acredita!
-esta naração quer sublinhar o desaparecimento do vencido, a religião de Baal, e a exaltação da religião que se pretende aconselhar.
-é simplesmente isto, nada mais. Não há que fazer interpretaçôes sem se conhecer a história o o seu sentido.
SABER LER A BÍBLIA É MAGNÍFICO .................... MAS CUIDADO COM AS INTERPRETAÇÕES HISTÓRICAS, PRINCIPALMENTE NO ANTIGO TESTAMENTO