A crise da fidelidade
É conhecida a frase que disse Byron acerca de um casal: "é muito mais fácil morrer pela pessoa que se ama do que viver com ela para sempre", embora seja irónica tem no fundo bastante realismo.
A verdade é que não é fácil manter o amor ao longo do caminho. As crises matrimoniais constituem um testemunho desta dificuldade, que se acentua mais ainda com o carácter «débil» do nosso mundo posmoderno.
Supõe-se que ninguém se casa com a ilusão de separar-se num proximo tempo.
Então porquê que tantos casais se ficam a meio do caminho?
Que factores provocam que as ilusões primeiras se destruam com o passar do tempo?
Podemos afirmar, e não é exagerado dizê-lo, que no mercado dos valores culturais, a fidelidade não é dos mais oferecidos. As mesmas estruturas sociais, que gozavam de uma grande estabilidade e favoreciam os compromissos definitivos, experimentam uma menor credibilidade e firmeza. Mais que manter a ordem estabelecida ou o respeito pelo tradicional, busca-se o diferente, o novo, o inédito. A mudança e a evolução são muito mais apreciadas que a estabilidade e a permanência. A mesma economia fomenta o consumismo constante. As coisas fazem-se para que durem pouco tempo e tenha que mudar-se por novas ofertas melhoradas.
Para muitos a ruptura de um compromisso já não cosntitui um abandono nem uma traição condenável; ao contrário, aparece como um gesto de valentia e coragem para romper com tudo o de antes, que agora se vive como uma carga pesada e imposta; um acto profundo de sinceridade para viver de acordo com as exigências actuais, á margem do que se tinha prometido em outras circuntâncias diferentes; uma opção, em último termo, pela liberdade, que impulsa a superarqualquer tipo de escravidão, passivismo, de inércia, de vulgaridade. Para a época actual, por grande maioria, é a importância da fidelidade do momento presente, para poder vivê-lo com todo o seu realismo e plenitude.
(na parte II, farei uma análise, da fidelidade que está ao serviço de um valor)

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